Maricá: Uma semana após a enchente, moradores voltam para as suas casas

Uma semana depois das fortes chuvas que causaram alagamentos em vários bairros de Maricá, todas as 1.163 pessoas que estavam em abrigos montados pela prefeitura voltaram para casa após serem avaliadas por médicos, psicólogos e assistentes sociais. Os bairros mais atingidos da cidade foram Itaipuaçu, São José de Imbassaí, Centro e Bambuí, onde 25 famílias ainda recebem donativos, que continuam a chegar. Um grupo de policiais militares do Comando de Operações Especiais (COE) foi ao bairro nesta segunda-feira (07/03) para levar roupas, remédios, água, produtos de higiene pessoal e outros diversos itens para as vítimas da enchente na região. De acordo com o major Joelmir dos Santos, todo o material foi arrecadado entre os colegas do grupamento. A entrega foi feita na Igreja Pentecostal do Poder de Jesus Cristo, na Avenida Antônio Callado, principal local de arrecadação coordenado pelo município na região, de onde foram distribuídos donativos para as localidades de Pindobal, Baixada Mineira, Areal, Limão e também para o bairro vizinho de Cordeirinho. “É preciso não apenas entregar esses donativos, mas também auxiliar essas pessoas nas suas comunidades”, salientou o pastor Roberto Silva, ao agradecer pelas doações.

Desde a última sexta-feira (04/03), um mutirão de atendimento com as secretarias adjuntas de Assistência Social, Saúde, Obras, Meio Ambiente, Educação e Receita está com postos avançados na entrada do Residencial Carlos Marighella, em Itaipuaçu, oferecendo diferentes serviços à população, como apoio psicológico, exames médicos e vacinas anti-tetânicas (para quem sofreu corte profundo na pele ou quem não está com a vacinação em dia). Foram 1.707 atendimentos no local entre sexta-feira (04/03) e sábado (05/03). Em todo o município, as equipes de Saúde fizeram 2.632 procedimentos médicos.

A Secretaria Adjunta de Saúde de Maricá informou que não há necessidade de uma corrida aos postos de saúde para vacinação. Segundo o secretário da pasta, Peterson Cabral, não se faz vacinação em massa nessas situações. Apenas de pessoas acidentadas, conforme avaliação prévia de profissional de saúde. “Nesses casos, os acidentados podem receber vacina antitetânica e contra hepatite B, quando houver indicações”, afirmou.

No caso da leptospirose, não existe uma vacina eficaz e disponível comercialmente contra a doença, que é facilmente tratável. De acordo com informe da secretaria, o Ministério da Saúde não recomenda a realização de vacinação da população contra a hepatite A em situação de enchentes. Além disso, não se recomenda vacinação em massa contra o tétano em situações de inundação, sendo recomendada apenas nos casos de pessoas acidentadas.

Ao voltar para casa, é importante sacudir roupas, sapatos, roupas de cama e colchões antes de utilizá-los, além de não andar descalço e manter os arredores da casa limpos. Em caso de picada, a vítima deve aguardar por socorro deitada, para diminuir a absorção do veneno. Não se deve tentar sugar o local com a boca para extrair o veneno ou amarrar o membro acidentado. Também não se deve aplicar nenhum tipo de substância como álcool, pó de café, ervas, terra, querosene ou urina no local da picada.

Assim que toda água foi escoada – com a desobstrução dos dois canais paralelos ao residencial feita por equipes da Secretaria Municipal Adjunta de Obras na quinta-feira – teve início à limpeza dos apartamentos. O trabalho das secretarias municipais foi estendido a outros locais, com equipes ajudando na limpeza das casas, recolhendo móveis e outros objetos espalhados pelas ruas dos bairros.

Para evitar que o problema na região volte a acontecer, a Prefeitura desapropriou um terreno junto ao Residencial Carlos Marighella e ali já iniciou os estudos técnicos para a construção de pelo menos duas grandes piscinas subterrâneas destinadas a drenar não só a área do residencial, mas todas as ruas adjacentes. A Prefeitura também está dragando, por conta própria, outros canais da cidade, como em Bambuí. Além disso, o canal da Barra de Maricá foi aberto na tarde deste sábado por equipes da prefeitura e, em 12 horas, drenou 7 cm de água de todo o complexo lagunar. No entanto, como era esperado, a própria maré fechou o canal e está prevista uma nova reabertura pelo município nesta terça-feira (08/03). Por entender que a responsabilidade pela calamidade é sobretudo dos agentes estaduais que mesmo alertados do risco nada fizeram e não permitiram que o município agisse, a Prefeitura também está buscando na Justiça o ressarcimento de todos os prejuízos causados pelo que considera negligência do governo do estado e do Inea.

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