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Maricá
quarta-feira, dezembro 7, 2022

Aproximadamente 1000 casas podem desabar em Maricá

Alerta é de um relatório do CREA-RJ e de especialistas na área

Por Marcelo Bessa – 998 casas no condomínio Sítio Anta Paula, em Inoã, distrito de Maricá, podem desabar a qualquer momento. Além do risco iminente de desabamento, que pode acontecer em efeito dominó, por elas terem sido construídas coladas umas nas outras, há, também, grande probabilidade de ocorrência de doenças, enchentes e incêndios no local.

Segundo a pesquisadora especializada no assunto, Márcia Leal, essas casas foram construídas sobre terreno de tufa e tabatinga e, bem ao lado delas, na estrada do Cassorotiba, haverá obras de escavação onde serão assentados os dutos do Comperj, nos quais correrão em seus interiores os tais “efluentes líquidos” que serão despejados na praia de Itaipuaçu.

Também, segundo declarações do assessor de meio ambiente do CREA, Dr. Adacto, em entrevista a uma rádio comunitária local, em 2009, o problema é bastante grave e preocupante com indícios, inclusive, de risco de saúde pública por consequência  inevitável da proliferação de mosquitos podendo causar uma epidemia de dengue, além de outras doenças graves no local, devido ao lixo acumulado e valões de esgoto a céu aberto. O CREA foi acionado pelo Ministério Público Federal, através do Dr. Wanderley Dantas para se posicionar sobre o problema.

Sobre o risco de desabamento dentro do condomínio Sítio Santa Paula, segundo o próprio assessor do CREA, uma perícia já foi realizada na qual detectou-se problemas de rachaduras nas casas e as mesmas estão afundando por motivos de erro no projeto e uso de material de baixa qualidade, porém o mesmo constatou que na prefeitura não existe mais o projeto, o que tem dificultado substancialmente o trabalho da perícia.

O fato é que, na época, em 1986, por ocasião da gestão do prefeito Luciano Rangel, a prefeitura anunciou uma inscrição para aquisição de casas populares, em sociedade com a COFLUHAB que, apesar de, inicialmente, ser um projeto para atender especificamente à população de baixa renda, teria total infraestrutura de saneamento, ruas asfaltadas, iluminação, etc, conforme anúncios divulgados pela prefeitura na época, porém com o passar dos anos a realidade foi outra, totalmente diferente. Além da obra ter sido entregue sem o “habite-se”, sem sistemas de esgoto, de drenagem e iluminação, as prestações foram subindo absurdamente, fazendo com que os mutuários não pudessem mais honrá-las mensalmente. Então, os moradores, através da advogada Dra. Joelza, também moradora, propuseram um acordo ao Sr. João Batista da COFLUHAB, no qual solicitavam que a Companhia baixasse o valor das prestações e aumentasse o prazo para pagamento. Inicialmente esse acordo foi aceito, mas posteriormente, sem qualquer explicação, a empresa voltou atrás e, deslealmente, iniciou a execução de todos os moradores envolvidos no acordo. Depois disso, a COFLUHAB não mais atendeu a Dra. Joelza.

Assim, a advogada entrou com ação no MP e iniciou uma investigação por conta própria, em conjunto com outros moradores, na qual descobrira-se que a COFLUHAB, desde a 6ª prestação, não repassava os valores à Caixa Econômica Federal. Souberam, inclusive, que a mesma não repassava os valores à seguradora e por esse motivo não eram efetuadas obras de melhorias no condomínio.

Com o surgimento e detecção de vários problemas no condomínio, constatou-se que as unidades residenciais foram construídas sobre um plástico preto e que sob as mesmas não existiam sapatas e nem radier. Consequentemente, devido a essa falha estrutural e sem a presença de colunas de concreto, as casas começaram a apresentar enormes rachaduras e sinais de afundamento. Nas paredes, não foram utilizados tijolos, mas sim placas de cimento que eram coladas umas nas outras, bem como nos tetos das casas, proporcionando risco de vida para os moradores.

O Itaipuaçu Site esteve no local e constatou a gravidade da situação e, como a informação é a sua função principal, independentemente de classes sociais, políticas ou partidárias, vem através dessa reportagem, em letras garrafais, fazer um apelo em nome das 998 famílias para que o Ministério Público agilize as providências a fim de que, pelo menos, minimize, a tempo, essa tragédia anunciada.

Confira as fotos abaixo:













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