Ricardo Queiroz e a máscara do PMDB maricaense – 8ª parte, por Adilson Pereira

Na última década, a população de Maricá aumentou consideravelmente. Alguns maricaenses de berço afirmam que hoje o município tem mais moradores novos que antigos. Uma realidade perceptível aos olhos mais descrentes. Os que escolheram Maricá para viver, assim como eu, tinham como maior objetivo a qualidade de vida. Mas, o que presenciamos neste período foi a vida dando um salto negativo de qualidade, rumo a um poço sem fundo.

            Muitos tentam se colocar à margem da realidade política, dizendo-se apolíticos. É um direito, mas também uma pena. Por mais importantes que sejam as ações de impacto social, financeiro ou de saúde coletiva, direcionadas à população, todas têm que passar por decisões políticas. Infelizmente, aqueles que resolvem como viveremos num futuro próximo não são os que estudaram em demasia, apresentaram certidões negativas de suas ações e certificados de escolaridade, trocaram momentos importantes pelo estudo, ganharam olheiras, mau humor, cansaço excessivo. Infelizmente, os gestores públicos não são os concursados, mas os apadrinhados!

            Por outro lado, mesmo num Estado “livre de direito”, temos que escolher nossos políticos por dever, não por obrigação. Estes nos são empurrados por um grupo reduzido, travestido de defensores da ordem pública. Neste caso, a atual maioria de novos moradores teve como único parâmetro de comparação os últimos sete anos de desgoverno do “Sr. Volta que eu Voto” e os três anos do pior governo da história do município. Qual o menos pior?

            O atual desgoverno, tipificado como QUADRILHA pelo então vereador Caiu Motorista enquanto relator da CPI (hoje membro da QUADRILHA por ele citada), sequer merece citação no Guinnes da Vergonha. Na outra extremidade da corda dos desajustados, temos o desgoverno anterior, até o momento o mais vergonhoso da história do município, caracterizando-se por escândalos, reportagens no Fantástico, passeios estapafúrdios, trevas, trevas e mais trevas. Como resultado, temos um relatório avassalador da Controladoria Geral da União/CGU, contendo 74 páginas de todos os tipos de desmandos da gestão(?) do “Sr. Volta que eu Voto”. Não bastando, o número de processos abertos contra sua pseudogestão é impressionante. O “Sr. Volta que eu Voto” é de longe o desprefeito mais processado da história de Maricá.

            O último inquérito aberto pelo Ministério Público/MP contra o “Sr. Volta que eu Voto” é o de nº 271/2011 (número interessante), datado de 08/11/2011. Atribuição: IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA & DEFESA DO ERÁRIO. Incansavelmente, temos o “Sr. Volta que eu Voto” sendo investigado por DESONESTIDADE & DESVIO DOS RECURSOS PÚBLICOS. Trata-se de INQUÉRITO CIVIL instaurado para aprofundar investigações acerca de irregularidades constatadas pelo TCE-RJ no processo nº 211.708-9/05 em Tomada de Contas Ex Officio, concluindo pela imputação de débito e aplicação de multa ao ex-prefeito de Maricá, Ricardo Queiroz.

            O que mais nos intriga são os apoios conseguidos. Um deles, do deputado Paulo Melo, atual presidente da Alerj, é um verdadeiro enigma. Aos desconhecedores, Paulo Melo tem curral eleitoral em Saquarema. Seus tentáculos se expandiram ao norte, chegando a Araruama, onde a Polícia Civil deflagrou a “Operação Direção Oposta”. O Detran, como de costume, teve seu nome enlameado pelos apadrinhados que o dirigem. O chefe de dois postos de vistoria, Nildo Sá Ferreira, está foragido da justiça. Nildo, numa triste coincidência(?), é sobrinho, apadrinhado político e indicação pessoal de Paulo Melo ao cargo.

            Esta semana, um amigo postou em meu perfil pessoal do facebook que o deputado não poderia ser responsabilizado por erros cometidos por terceiros. O problema é que os tais terceiros “não são tão terceiros assim”. O principal fator que leva alguém a indicar um parente a um cargo de chefia em repartições públicas é sua falta de preparo para encarar o mercado de trabalho. Um aspone familiar nos remete à incompetência assumida e consentida. Será que o deputado não conhecia a índole questionável e o desvio de conduta de seu próprio sobrinho?

            Para analisar melhor a questão, vamos a outro detalhe. A prefeita de Saquarema, Franciane Mota, esposa de Paulo Melo, foi derrotada no pleito passado. A derrota deixou o deputado fulo da vida, levando-o a dar declarações públicas nada saudáveis em direção à população local. Algum tempo depois, o prefeito recém-eleito, Dalton Borges, que concorreu apoiado em liminar judicial, teve seu mandato cassado. Paulo Melo lutou muito por isso, em nome da moralidade, visto que Dalton teve suas contas rejeitadas pela câmara municipal de Saquarema. Belo gesto, deputado.

            O que não conseguimos entender é o apoio de Paulo Melo ao “Sr. Volta que eu Voto” que, assim como Dalton, teve suas contas rejeitadas pela câmara municipal, a de Maricá. Seriam “dois pesos, duas medidas” ou puro objeto de poder? Onde estão as ações em nome da moralidade? Será que Maricá não merece o mesmo respeito e dedicação que o deputado teve por Saquarema? Será que Paulo Melo não sabe que o “Sr. Volta que eu Voto” só conseguirá ser candidato se estiver apoiado em liminar, assim como Dalton? Será que Paulo Melo não conhece o relatório incriminador da CGU em relação ao “Sr. Volta que eu Voto”? Será que Paulo Melo ainda não contabilizou a quantidade de processos abertos pelo MP contra o “Sr. Volta que eu Voto”? Será que Paulo Melo não foi informado que Robson Dutra, seu mais fiel escudeiro em Maricá, foi descaradamente traído pelo “Sr. Volta que eu Voto”? Será que Paulo Melo realmente ignora tais fatos ou, deliberadamente, se faz de ignorante diante dos mesmos?

            A CGU e o MP devem estar completamente enganados, claro. Talvez o nobre deputado seja detentor do “Olho de Thundera”, e sua “visão além do alcance”, invisível aos normais, esteja norteando seus passos rumo à moralidade e ao respeito para com nossa cidade. Por outro lado, quem sabe, a CGU e o MP podem estar certos. Daí, ouviremos veementemente que não se responsabilizam por ações de “terceiros”. Com este ato viciado ficaremos todos, mais uma vez, com a sensação de que nos passaram “recibo de otários”. Prezado deputado, o que lhe fizemos de tão mal para merecermos tamanho descaso? 

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