35,4% da população não reside no município onde nasceu

Da Época Negócios Online – O Censo 2010, divulgado nesta quarta-feira (17/10) pelo IBGE, mostra que 35,4% da população não residia no município onde nasceu, sendo que 14,5% (26,3 milhões de pessoas) moravam em outro estado.
São Paulo acumula o maior contingente de não naturais residentes (8 milhões), seguido por Rio de Janeiro, com 2,1 milhões, Paraná, acumulando 1,7 milhão e Goiás, com 1,6 milhão.
Minas Gerais e Bahia foram os estados com os maiores volumes de população natural residindo em outras regiões, com 3,6 milhões e 3,1 milhões, respectivamente.
Rio de Janeiro acumula segundo maior contingente de não naturais residentes.
A comparação entre os valores de residentes não naturais com o de naturais não residentes mostra que, historicamente, 15 estados vêm apresentando resultados positivos no processo de migração (chegam mais migrantes do que saem) e 12 estados, resultados negativos (o número de saídas é maior do que o de chegadas). São Paulo tem apresentado o maior ganho populacional resultante desse processo histórico de migração interestadual, com 5,6 milhões de pessoas. Minas Gerais e Bahia, estados com histórico de emigração, foram os que apresentaram a maior diferença negativa entre naturais não-residentes e não-naturais residentes (ambos com 2,2 milhões de pessoas).
A maior parte dos migrantes (53,6%) não naturais do estado onde residiam era de origem nordestina, 9,5 milhões de indivíduos. Historicamente, o Sudeste foi o principal destino, onde residiam 66,6% dos nordestinos que viviam fora da região. A exceção da região Norte, cuja maior parte dos naturais que residiam fora viviam no Centro-Oeste, para todos os naturais das demais regiões, inclusive países estrangeiros (66,4%), a região Sudeste era a principal região de residência.
9,9 milhões de pessoas migraram nos últimos 10 anos
O Censo 2010 detectou uma redução na chamada migração de última etapa, que se refere à última mudança realizada pelo indivíduo nos dez anos anteriores à pesquisa. Em 2000, 11,3 milhões de pessoas eram migrantes de última etapa, ao passo que, em 2010, esse número caiu para 9,9 milhões de pessoas. Esta queda foi observada em 24 estados, sendo que, em Roraima, diminuiu 30,0% e, em Rondônia, Ceará e São Paulo, cerca de 25,0%. O estado que apresentou maior aumento no volume de imigrantes de última etapa foi Santa Catarina (33,0%).
A região Nordeste apresentou o maior número de estados com altos percentuais de imigrantes vindos de outras grandes regiões. Dos seus nove estados, seis apresentaram, em 2010, mais de 50,0% do total de imigrantes de última etapa vindos de outras regiões, destacando-se a Bahia, onde 73,5% de seus imigrantes eram oriundos de outras grandes regiões.
O Censo observou também um aumento no volume de imigrantes internacionais de última etapa entre 2000 e 2010. Aproximadamente 455 mil pessoas migraram de países estrangeiros nos 10 anos que antecederam o Censo. Em 2000 esse número era de 279 mil pessoas. Esses migrantes, em 2010, dirigiram-se majoritariamente para São Paulo (30,0% do total de imigrantes internacionais), Paraná (14,7%), Minas Gerais (9,8%), Rio de Janeiro (7,6%) e Rio Grande do Sul (5,3%). Quanto ao país de origem dos migrantes, 17,6% vieram dos Estados Unidos, 13,7%, do Japão, e 9,8%, do Paraguai.
Em cinco anos, 1,3 milhão de pessoas deixaram o Nordeste
Em relação à chamada migração de data-fixa, que investiga o local de residência do indivíduo cinco anos antes do Censo, observou-se que a região Nordeste foi a única que perdeu população. Em 2005 e 2010, 1,3 milhão de pessoas deixaram a região, 828 mil dirigindo-se para o Sudeste e 386 mil fazendo o caminho inverso. Os estados que tiveram o maior ganho de população no período, com saldos migratórios positivos, foram São Paulo, Goiás e Santa Catarina. Maranhão e Bahia tiveram as maiores perdas.
Entre os 4,6 milhões de indivíduos que migraram entre as unidades da federação nos cinco anos antes do Censo, 2,4 milhões eram homens e 2,3 milhões, mulheres. A maior parte era formada por adultos entre 20 e 29 anos (31,5%). Em seguida, vieram os migrantes que tinham entre 30 e 39 anos (19,8%). Em termos gerais, 89% dos migrantes tinham menos de 50 anos e 5% eram idosos, com 60 anos ou mais.
Sudeste x Nordeste
Domicílios adequados no Sudeste tinham rendimento nominal mensal médio cerca de seis vezes maior que os domicílios inadequados no Nordeste.
O valor médio do rendimento mensal domiciliar variou entre os tipos de adequação dos domicílios. Em 2010, o rendimento médio do domicílio adequado era de R$ 3.537,95, o dos semiadequados, R$ 1.746,35, e o dos inadequados, R$ 708,94 para o total do país.
A desigualdade por cor ou raça permaneceu entre os Censos. Enquanto 53,9% e 63,0% dos brancos, em 2000 e 2010, viviam em domicílios adequados, os pretos eram 34,0% e 45,9% e os pardos 30,4% e 41,2%, nos dois períodos respectivamente.
Cabe destacar os altos percentuais de domicílios inadequados onde viviam crianças de 0 a 6 anos no Norte (18,6%) e Nordeste (14,5%). Entre os domicílios em que moravam idosos (60 anos ou mais), eram inadequados 9,4% no Norte e 8,5% no Nordeste.
Motos estavam presentes em 22,5% dos domicílios inadequados
No Censo de 2010 foram incluídos bens existentes nos domicílios que não constavam de levantamentos anteriores, como telefone celular, microcomputador com acesso à internet e motocicleta.
A existência de telefone fixo decresceu de 62,0% para 57,4% nos domicílios adequados (com abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica, coleta de lixo direta ou indireta, até dois moradores por dormitório), e nos inadequados (sem nenhuma das condições de adequação), de 1,6% pra 1,1%, em razão da disseminação do telefone celular.
Em contrapartida, por ordem de grandeza, aumentou a proporção de domicílios com televisão, geladeira e máquina de lavar roupa, em todos os tipos de adequação do domicílio. Enquanto cresceu a proporção de domicílios adequados com automóvel de 47,3% para 51,1%, e de semiadequados (que não têm uma das condições de adequação), de 22,7% para 28,6%, houve uma queda de 7,6% para 6,1% de automóveis em domicílios inadequados. Esta queda pode estar relacionada ao crescimento da motocicleta, que em 2010 estava presente em 22,5% dos domicílios inadequados.
Densidade de moradores por dormitório melhora em dez anos
Entre os Censos de 2000 e 2010, observou-se melhoria no bem-estar dos moradores no que se refere à densidade de moradores por dormitório nos domicílios. A ocupação é adequada quando nos domicílios existem até dois moradores por dormitório. O percentual de domicílios nesse padrão cresceu de 62,9% (1991) para 81,9% (2010). No entanto, as diferenças regionais persistiram, com a região Sul apresentando, em 2010, 90,1% dos domicílios com até dois moradores por cômodo, enquanto no Norte apenas 66,2% tinham essa característica.
No Censo 2010, foi pesquisado o tipo de revestimento das paredes externas dos domicílios: 97,8% dos domicílios tinham as paredes externas construídas com algum tipo de material durável, com predomínio de alvenaria com revestimento (80,0%). A região Sudeste era a que apresentava a mais alta incidência de domicílios com paredes externas de alvenaria com revestimento (88,6%), enquanto os domicílios com paredes externas de alvenaria sem revestimento eram mais frequentes na região Norte (13,3%), seguida da Nordeste (12,3%) e da Sudeste (10,2%).
Nordeste apresentou maiores avanços em saneamento básico
Em 2010, 52,5% dos domicílios do país eram adequados (domicílios com abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica, coleta de lixo direta e indireta e com até dois moradores por dormitório;) e 4,1% inadequados (domicílios sem nenhuma das condições de adequação consideradas). No entanto, apenas no Sul (68,9%) e no Sudeste (59,35%) mais da metade dos domicílios eram adequados, pois nas regiões restantes os percentuais não chegavam a metade dos domicílios. A região Norte foi a que apresentou o quadro mais desfavorável, com apenas 16,3% de domicílios adequados.
O crescimento do serviço de abastecimento de água por rede geral ocorreu em todas as regiões, embora de forma desigual. A região Nordeste foi a que apresentou o desenvolvimento mais acelerado no período, crescendo de 52,8%, em 1991, para, 76,3%, em 2010.
O esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica foi o indicador de saneamento básico que mostrou situação mais crítica e maiores desigualdades entra as regiões. As regiões Norte (32,9%), Nordeste (45,4%) e Centro-Oeste (51,8%) eram as que apresentavam as menores proporções de domicílios com esgotamento sanitário adequado.
Mesmo com baixas proporções de domicílios com rede geral de esgoto ou fossa séptica, a região Nordeste foi a que apresentou o maior aumento proporcional, passando de 24,2% de domicílios com esgotamento adequado, em 1991, para 45,4%, em 2010. Por outro lado, a região Norte registrou queda de 36,3% para 32,9% dos domicílios ligados à rede geral de esgoto ou com fossa séptica, entre 2000 e 2010.
Já a coleta direta e indireta de lixo por serviço de limpeza apresentou desempenho significativo em 2010, variando entre 74,4%, na região Norte, e 95,0%, no Sudeste. Esse foi o serviço que, proporcionalmente, mais cresceu em todas as regiões. Entre 1991 a 2010, as regiões Norte (36,9% para 74,4% dos domicílios) e Nordeste (41,6% para 75,0%) tiveram os mais altos avanços no serviço.
Em 2010, o fornecimento de energia elétrica por companhias de distribuição era o serviço mais abrangente, chegando à quase totalidade dos domicílios, principalmente no Sul (99,3%) e Sudeste (99,0%). O Norte (89,3%) e o Nordeste (96,9%) alcançaram os maiores avanços quando comparados a 1991(67,0% e 71,7%, respectivamente).

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