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Maricá: Mãe de vereador não morreu em decorrência do coronavírus

Célia Regina Novaes Rocha, de 64 anos, falecida no dia 27 de abril, não morreu em decorrência do novo coronavírus (Covid-19). O resultado do exame da mãe do vereador de Maricá, Fabiano Novaes, foi divulgado nesta segunda-feira (11).

Confira a nota divulgada pelo vereador Fabiano Novaes abaixo:

“Hoje, segunda-feira, 11 de maio de 2020, um dia após o dia em que comemoramos o dia das mães, reuni forças e tomei coragem de vir através desta nota agradecer a imprensa e todos amigos que sentiram com a nossa dor e de alguma forma se manifestaram com um apoio neste momento difícil que estamos passando. Por conta disso, me sinto na obrigação moral de compartilhar com vocês a notícia do laudo da morte de minha mãe, que recebemos somente hoje.

Confesso que esse resultado não faz muita diferença, uma vez que não a tenho aqui juntamente comigo, mas como foi amplamente divulgado que o caso era suspeita de COVID-19, precisamos aqui explicar todo ocorrido. Por conta do COVID, todos nós mudamos as nossas rotinas e para proteger meus pais, ainda que doesse o afastamento social, adotamos a prática para preserva-los. Evitava de levar meus filhos para a casa deles, mas não deixei um só dia de estar presente, levando tudo que fosse necessário para que não precisassem ir a rua. Fiz isso, respeitando todas as medidas de segurança para protege-los.

Em determinado momento, percebi que minha mãe começou a apresentar uma dificuldade respiratória, mas sem febre, sem tosse e sem nenhum outro sintoma que pudesse nos indicar uma preocupação com a doença em questão. Observamos que a glicose estava alterada, mas a pressão estava boa e achávamos que era problema emocional, pois ela ja tinha passado por um quadro parecido anteriormente, por isso agendei uma consulta com psiquiatra, que não chegou acontecer.

Almoçamos juntos na quinta-feira, ela estava com pouco apetite, me pediu para comprar uma quentinha com filé de peixe, mas comprei o filé e caprichamos um almoço sem saber que seria nosso último juntos, eu, ela, Elayne e meu pai. Na sexta feira, ela estava do mesmo jeito, comeu muito pouco porque eu forcei dizendo que se não se alimentasse eu teria que leva-la para o hospital, comeu e disse que depois que comia se sentia melhor.

No sábado ela parecia um pouco melhor, mas na hora do almoço não se sentou conosco. Conversei com a minha mãe e disse que queria levar ela ao hospital, mas ela dizia que não precisava, que iria se alimentar, eu iria levar ela no psiquiatra na terça, ela tomaria um remédio e ficaria boa. Depois que ela comeu um pouquinho vim para casa a tarde e voltei a noite com toda família e não imaginávamos que seria a despedida dos netos.

Observamos que a glicose estava alta sendo necessário aplicação de insulina para regular. Neste sábado, mesmo querendo ficar na casa dela, voltei para minha casa, pois achava que se ficasse lá com as crianças estaria incomodando ela que não estava bem, mas acreditávamos que tudo isso era resultado de problema emocional, como já havia acontecido anteriormente e tudo ficaria bem.


Na Madrugada de sábado, às 4 horas da manhã, acordei assustado depois de *SONHAR* com minha mãe agonizando e dizendo que não iria resistir e que iria morrer. Bateu uma angústia, um desespero e como havia combinado com ela liguei de madrugada e falou comigo que estava tudo bem. Pediu que eu chegasse cedo para medir a glicose, pois queria tomar café para se sentir melhor. Assim eu fiz, cheguei cedo, testei a glicose e aferi a pressão.

A pressão me deixou preocupado, pois estava 9:8, falei com minha irmã e mesmo contrariando a vontade da minha mãe, fomos para o HUAP, no caminho, presenciei aquela agonia que vi no sonho segurei a mão dela enquanto dirigia e apertava na mesma intensidade que estava o meu coração e ouvi dos lábios dela que se tivesse asas sairia voando, naquele momento meu coração tremeu. Chegando lá foi atendida na emergência e foi tratada como suspeita de COVID-19 porque reclamava de falta de ar. Descobriram que ela estava com pneumonia, o que nos deixou assustado, pois não apresentava tosse, secreção e nada do gênero.

Encaminharam ela para o setor do COVID e isso nos deixou muito assustado, pois era o que ela e nós temíamos. Poucas horas depois recebemos a notícia do óbito.

Mexendo nas coisas da minha mãe esta semana descobrimos que tinha uma consulta marcada com o pneumologista, mas foi desmarcada por causa do COVID e vejam só, o laudo da morte foi de *pneumonia e choque séptico* com suspeita de COVID. Suspeita esta que hoje *NÃO FOI CONFIRMADA* após receber o resultado do teste realizado no HUAP.

*A morte da minha mãe não teve como causa o COVID-19.* Mas esta doença maldita nos privou de um atendimento médico mais adequado, nos deixou inseguro para buscar auxílio no hospital anteriormente, nos afastou e deixamos de fazer o que sempre fazíamos. Este mal nos impediu de abraçar e até mesmo nos despedir da pessoa que tanto amava. Mas acredito que nada acontece sem que haja a permissão de Deus.”

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