Início Outras notícias Pescadores de Maricá acusam governo Pezão de destruir restinga

Pescadores de Maricá acusam governo Pezão de destruir restinga

Os pescadores da comunidade de Zacarias, em Maricá, estão em pé de guerra com o governo estadual. A região onde eles vivem e trabalham há três séculos, às margens da Lagoa de Maricá, está ameaçada. A empresa espanhola IDB do Brasil, comprou o terreno, de 9 milhões de metros quadrados na área em 2007 e pretende agora construir um mega empreendimento turístico-imobiliário que inclui três clubes, três hotéis de quatro e cinco estrelas, dois shoppíngs, dois campos de golfe e até uma hípica. Isso tudo em região considerada Área de Preservação Ambiental. Os pescadores acusam os governos Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão de flexibilizar a legislação ao arrepio de resolução federal.

“Eles (IDB) querem nos impedir de fazer qualquer coisa aqui. Tememos que destruam a nossa região e o nosso ganha pão. Vão poluir tudo aqui”, contou o pescador Vilson Corrêa, de 53 anos, vice-presidente da Associação de Pescadores de Zacarias, nascido e criado na comunidade.

No final de 2007, o então governador Sérgio Cabral assinou decreto com novo Plano de Manejo e Zoneamento de Área de Proteção Ambiental (APA) de Maricá, estabelecendo Zonas de Ocupação Controlada (ZOC), liberando vários trechos para uso urbano de verticalização (prédios). “O que contraria a Resolução 303 da Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que protege áreas de restinga a 300 metros de mar para dentro. Além disso, a área é considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde 2009, por possuir reserva de biosfera e de Mata Atlântica”, explicou Desirré Guinchard, professora de Geografia da Uerj e integrante da ONG Movimento Pró-Restinga.

Segundo a ONG, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) está acelerando a liberação das áreas para construção do empreendimento. “O empreendimento citado encontra-se em fase preliminar de licenciamento e, antes da concessão da Licença Prévia, o empreendedor terá de apresentar Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) e será realizada uma audiência pública para que a comunidade conheça o projeto e apresente sugestões”, explicou o órgão.

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Favor colocar seu nome aqui